Semanas de Inovação | Setores
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Setores

AERONÁUTICA

A aeronáutica é uma área de tecnologia altamente estratégica tanto para o Brasil quanto para a Suécia. A Suécia, apesar de ser um país pequeno, é muito bem-sucedida como fabricante de aeronaves de defesa e fornecedor de peças para aeronaves civis. O Brasil através da Embraer é um dos quatro principais fabricantes de aeronaves civis do mundo. A indústria da aviação com o uso de tecnologias avançadas tem influências consideráveis também em outros setores, envolvendo a indústria automobilística, a indústria da comunicação, e o desenvolvimento de compósitos de notícias entre alguns. Isso significa que a indústria aeronáutica é um ator muito importante no sistema nacional de inovação.

 

O denominador comum entre a Suécia e o Brasil é a assinatura do contrato Gripen NG. Esse contrato entre o Brasil e a SAAB na compra de 36 aviões de caça é diferente no sentido de que ambos vão desenvolver o plano juntos. O primeiro lote de aviões será produzido na Suécia, e o segundo será produzido no Brasil. O acordo Gripen trata-se de co-criação e compartilhamento de conhecimento. A ambição, tanto no Brasil como na Suécia, é ampliar e desenvolver a competência para a próxima geração de aeronaves. Ao construir essa relação, existe uma oportunidade única ao longo prazo, para desenvolver essas capacidades em colaboração.

Credits: Gripen NG © Saab AB

AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS DE INOVAÇÃO

A cooperação do acordo Gripen entre a Suécia e o Brasil significa que os dois países entrarão agora em uma relação industrial próxima e estratégica durante os próximos 25-30 anos. A base do projeto, que se baseia na noção de inovação e co-criação, pode potencialmente alterar a dinâmica na qual nossos dois países interagem. Na verdade, não estamos mais falando sobre as vendas tradicionais de compra de produtos nacionais, mas sim uma relação colaborativa na qual a Suécia e o Brasil agem juntos e juntam suas capacidades.

 

Essa ideia de permitir que um projeto industrial conjunto conduza uma agenda de desenvolvimento econômico compartilhado, principalmente através de spin-offs potenciais em outros setores econômicos, é em parte uma nova forma de política. Para essa nova forma de interação, avaliação do método de trabalho será fundamental. Somente ao criar um sistema de aprendizado contínuo, a Suécia e o Brasil poderão aproveitar as oportunidades que surgirão. Com a inovação como parte central das políticas de crescimento brasileiro e sueco, a necessidade de avaliação, e avaliação das políticas de inovação, tem relevância concreta dentro e além do projeto Gripen NG.

Credits: Lena Granefelt/imagebank.sweden.se

BIOECONOMIA

Um dos novos tópicos para as semanas de inovação deste ano é a bioeconomia. A bioeconomia é um tópico importante e estratégico, que pode ser definido como a produção de recursos biológicos renováveis e a conversão desses recursos e fluxos de resíduos em produtos de valor agregado. Exemplos são alimentos, ração para animais, produtos biológicos e bioenergia. Os setores e as indústrias que trabalham com bioeconomia têm forte potencial de inovação devido ao uso de uma ampla gama de ciências, tecnologias habilitadoras e industriais, e também conhecimento local e tácito.

 

Um exemplo são biocombustíveis avançados. A Suécia comprometeu-se a reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) para zero até 2045. Além disso, o setor de transporte sueco reduzirá as emissões com 70% até 2030 em relação a 2010. Apesar desses objetivos difíceis, a economia sueca cresceu com 10%, enquanto as emissões de GEE foram reduzidas com 10% entre 2010-2016. O modelo de tripla hélice, onde o governo, a indústria e a academia colaboraram tem sido e continuará a ser, um fator de sucesso na consecução dos objetivos estabelecidos. O Brasil começou a produzir biocombustíveis avançados já em 2014, e com sua produção de etanol tem sido um precursor em relação à primeira geração de biocombustíveis avançados. Além disso, o Brasil está trabalhando em uma política nacional (Renovabio) com o objetivo de atingir o objetivo de redução de GEE em 43% até 2030 (em comparação com os níveis de 2005).

 

Tanto a Suécia, como o Brasil, possuem uma produção de biomassa bem estabelecida com grande relevância na matriz energética, que pode apoiar o desenvolvimento de biocombustíveis avançados. No entanto, os biocombustíveis avançados são apenas uma área no maior escopo da bioeconomia, onde o Brasil e a Suécia identificaram sinergias. Áreas como a bioenergia com foco em biogás e pellets também são aplicáveis e o conceito de bioeconomia toca outras áreas relevantes onde a Suécia e o Brasil pode colaborar, como os bi-produtos da indústria química com bio-plásticos como exemplo.

Credits: Cecilia Larsson Lantz/Imagebank.sweden.se

CIDADES SUSTENTÁVEIS

A Suécia e o Brasil compartilham um profundo compromisso com o desenvolvimento sustentável. Ambos os nossos países tem sediado conferências multilaterais muito importantes que uniram milhares de pessoas trabalhando para um futuro sustentável. Crescimento da população e expansão das cidades, leva uma série de problemas de gerenciamento e aumento de custos, ambos relacionados ao gerenciamento e manutenção de serviços, e infraestrutura. Portanto, é importante considerarmos o objetivo, ao mesmo tempo em que reduzimos os custos e nos concentramos no uso inteligente e inovador de tecnologia relacionada a temas como energia, meio ambiente e transporte. Esses desafios únicos e também as oportunidades resultaram no conceito Smart City.

 

O conceito de Smart City concentra-se na inovação para a sustentabilidade, melhor mobilidade e eficiência energética. Um consórcio de atores suecos e brasileiros está promovendo a inovação do sistema, combinando tecnologia e informática e redes inteligentes para desenvolver eletro-mobilidade, bem como serviços de transporte eficientes em energia, e de baixa emissão de carbono. Tudo isso visando o desenvolvimento urbano sustentável e a oportunidade de repensar o desenvolvimento das cidades.

 

Soluções para questões urbanas, tais como projetos de tratamento de resíduos; distribuição de poder; eventos em grande escala; segurança; mobilidade; gestão de recursos; e desenvolvimento de capacidade para tomar melhores decisões, são projetos que estão incluídos neste conceito.

Credits: Aline Lessner/imagebank.sweden.se

DIGITALIZAÇÃO

A digitalização tem sido uma força transformacional que afetou todos – empresas, organizações, indivíduos e a sociedade em geral. Está se desenvolvendo rapidamente e oferece ótimas oportunidades, bem como desafios. Todos os dias, ocorrem milhões de eventos independentes que podem mudar o curso da indústria e das empresas em um piscar de olhos. O avanço de tecnologias como a análise de dados, a mobilidade da informação, as redes sociais e a computação em nuvem proporcionaram um poder incomparável para as empresas, permitindo que novos modelos e processos de negócios ocorram e criem formas inovadoras de interagir com clientes, parceiros e funcionários.

 

O próximo passo em frente na Parceria de Inovação Sueco-Brasileira é aprofundar o foco na digitalização como uma força de transformação para inovação e empreendedorismo. Esta questão é particularmente importante para as startups, uma área onde a Suécia tem uma vasta experiência. Juntamente com o Brasil, podemos cooperar e desenvolver parcerias mutuamente benéficas na inovação digital e usar a força de transformação da digitalização para impactar positivamente as empresas e nossas sociedades. Várias empresas suecas de digitech se estabeleceram no mercado brasileiro nos últimos anos. As empresas vêem um potencial enorme no mercado brasileiro com 120 milhões de usuários de internet.

Lena Granefelt/imagebank.sweden.se

INOVAÇÃO ABERTA

Após a decisão do governo brasileiro em outubro de 2014 de adquirir o sistema de combate de caça Gripen NG, houve uma maior aproximação nas relações entre Brasil e Suécia. O projeto Gripen é abrangente e de longo prazo e será uma relação industrial estreita e estratégica para os próximos 25-30 anos. A natureza do projeto baseia-se na noção de inovação e co-criação, que mudará a dinâmica em que os países interagem e a torna mais ampla e profunda. Com base na noção do projeto Gripen como uma “locomotiva”, criando efeitos de propagação também em outras áreas da economia, vários avanços também foram feitos para definir por etapas outras áreas de colaboração.
A inovação aberta é um elemento crucial na produtividade da indústria, na competitividade e na forma de aumentar a inserção no sistema de valor global. A cooperação existente entre a Suécia e o Brasil tem sido de grande importância, e a parceria permitiu que o Brasil estabelecesse um ponto de partida para discussões sobre inovação no contexto da indústria nacional.

 

A inovação aberta também desempenha um papel importante na co-criação. Ao criar um diálogo direto e aberto, podem ser discutidos desafios práticos e oportunidades que acompanham essa nova dinâmica. Como nos organizamos para tirar o máximo proveito de um relacionamento baseado na inovação e na co-criação? O que é inovação aberta e como pode fornecer um caminho a seguir? Quais são as experiências desenvolvidas até agora? Estas são todas as questões que podem fornecer um aporte direto e concreto ao diálogo político contínuo entre o Brasil e a Suécia.

Credits: Ulf Lundin/imagebank.sweden.se

ESTUDOS NA SUÉCIA

As universidades suecas são mundialmente conhecidas por sua educação de alta qualidade e sua emocionante vida em “campus”. Existem 14 universidades públicas e 20 colégios universitários públicos na Suécia que oferecem uma variedade de cursos e programas de ensino superior. Além disso, duas das mais antigas universidades, a Universidade de Lund e a Universidade de Uppsala, estão entre as 100 melhores universidades do mundo.

 

Em maio de 2016, as principais universidades brasileiras e suecas se uniram para o 5º Seminário de Excelência SACF. Mais de 200 principais pesquisadores suecos e brasileiros, agências de financiamento e representantes do governo, juntamente com a gerência universitária de alto nível, se reuniram em Brasília para uma reunião realizada ao longo de dois dias. As discussões variaram de ciências da vida e nanotecnologia, ao desenvolvimento sustentável e educação inclusiva, gênero e etnia. O encontro estabeleceu uma série de novos contatos e redes entre os homólogos suecos e brasileiros, e esperamos que novos projetos conjuntos acadêmicos se concretizem.

 

Além disso, as universidades suecas mostraram um grande interesse em recrutar estudantes e talentos do Brasil. Anualmente, várias universidades suecas realizam seu “Estudar na Suécia Roadshow” e visitam várias capitais e as principais universidades brasileiras, para promover suas universidades. Este ano, o “Swedish Universities Roadshow” visitará oito cidades brasileiras em vários estados (Brasília, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Recife, Rio de Janeiro e Santo André) entre os dias 18 e 31 de outubro. Além disso, a Câmara de Comércio Sueco-Brasileira (Swedcham) organizará uma Feira de Carreira em São Paulo no dia 27 de outubro, que contará com a participação das universidades e de várias empresas suecas.

Credits: Aline Lessner/imagebank.sweden.se

FLORESTAS

Tanto a Suécia como o Brasil possuem grandes setores florestais. O setor florestal têm sempre composto uma grande parte das economias de ambos os países. Na Suécia, a indústria florestal sempre desempenhou um papel importante na economia sueca e no gerenciamento de emprego; 73% do país é coberto por floresta, do qual 80% é cultivado. Além disso, em 2015 foi relatado que o Brasil tinha 5,9 milhões de hectares de floresta certificada; uma quantidade surpreendente que ilustra a importância e oportunidade apresentada pelo setor florestal no Brasil.

 

No entanto, o setor está mudando e enfrentando muitos desafios, como a criação de uma indústria florestal mais sustentável; desmatamento; desenvolvimento de novos materiais e produtos de madeira; bem como o uso mais eficiente de energia. Por exemplo, novos materiais foram desenvolvidos de madeira através da pesquisa sueca sobre nanocelulose. As aplicações de nanocelulose são concebidas em embalagens ecológicas, bem como materiais para isolamento de edifícios e reforço de materiais plásticos não inflamáveis, reduzindo assim a poluição e a pegada de carbono. Além disso, para reduzir custos e melhorar processos, pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) estão trabalhando no uso da nanotecnologia para aplicação no setor florestal brasileiro e suas indústrias relacionadas.

Credits: Aline Lessner/imagebank.sweden.se

MINERAÇÃO

Tanto a Suécia quanto o Brasil têm uma longa história de mineração. Ambos os países têm grandes empresas de mineração e muitas minas, além de um vasto conhecimento e experiência na área. No Brasil, o setor de mineração consiste 2,3% de seu Produto Interno Bruto (PIB), e um total de 7% do PIB ao incluir a indústria de transformação mineral. Além disso, o setor de mineração na Suécia aumentou sua participação no PIB do país na década de 2000, e em 2010 totalizou 0,85% do PIB. A Suécia também é pioneira na inovação e em tecnologia sustentáveis.

 

Combinar essas empresas com os fortes desenvolvimentos do Brasil na mineração proporcionaria oportunidades de negócios mútuas, bem como compartilhamento de conhecimento em tecnologia, desenvolvimento de conhecimento, e processos de responsabilidade social e sustentável. Existe um grande potencial para expandir o intercâmbio e a cooperação existente entre os nossos países ao buscar soluções inovadoras mutuamente benéficas. E a fim de melhorar a cooperação entre a Suécia e o Brasil na área de mineração, um memorando de entendimento foi assinado em outubro de 2016.

Credits: Simon Paulin/imagebank.sweden.se

OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Em 2015, a Assembléia Geral da ONU aceitou formalmente um novo conjunto de 17
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs) que lidam com questões em varias áreas, desde o fim da pobreza mundial até a igualdade de gênero e a ação para combater a mudança climática, entre outras. Trata-se da nova agenda de ação até 2030, que se baseia nos progressos e lições aprendidas com os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, entre 2000 e 2015. Até 2030, todos os países devem cumprir esses 17 objetivos e metas correspondentes, algo que cria desafios, mas também oportunidades, e mostra a necessidade por um pensamento inovador sobre como vivemos e organizamos nossas vidas.

 

A Suécia já começou a organizar um plano para realizar a “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” e os SDGs. No entanto, tanto para a Suécia como para o Brasil, os novos objetivos envolvem muitos desafios em termos de implementação. A iniciativa #FirstGeneration foi criada pelo Ministério das Relações Exteriores da Suécia como parte do plano, com o objetivo de divulgar o conhecimento sobre os SDGs e a importância de educadores envolverem jovens no desenvolvimento sustentável.

 

Um representante do Brasil participou do #First Generation Forum que foi organizado pela Suécia em Estocolmo em outubro de 2016, onde vinham jovens, educadores e “conectores” de todo o mundo. O objetivo é encontrar modelos e educadores criativos e inspiradores que possam intensificar a pressão para garantir que os Objetivos sejam cumpridos até 2030.

Credits: Aline Lessner/imagebank.sweden.se

PROPRIEDADE INTELECTUAL

Propriedade Intelectual (PI) é um tópico altamente importante quando se trata de inovação e co-criação. A cooperação entre a Suécia e o Brasil em geral, e o projeto Gripen em particular, levanta uma série de questões a serem abordadas e exigirá diretrizes desenvolvidas conjuntamente sobre PI e práticas relacionadas.

 

O Escritório de Patentes e Registro (PRV) é a Autoridade de Propriedade Intelectual na Suécia, e eles estão trabalhando com desenvolvimento de novas idéias na vanguarda da tecnologia e do desenvolvimento, para fortalecer o crescimento e a competitividade da Suécia. Uma troca entre a Suécia e o Brasil está sendo iniciada neste contexto, que visa trazer conhecimentos especializados de PI para o Brasil, a fim de criar uma oportunidade que permita discussões sobre como propriedade intelectual e os desenvolvimentos relacionados no tema se relacionam com as práticas brasileiras de PI. Além disso, essa troca também abrirá espaço para explorar como as empresas suecas ativas no Brasil podem se beneficiar deste intercâmbio e processo de aprendizado mutuamente benéfico.

Hans-Olof Utsi/imagebank.sweden.se

SATÉLITES E USO DA TERRA

A introdução de novas tecnologias tem alterado profundamente as formas como fazemos as coisas, e tem tido ocasionalmente grandes implicações também para a elaboração de políticas. Uma dessas áreas é o uso combinado de satélites e tecnologia de informação mais ampla. O último, que tradicionalmente tem sido uma preocupação de segurança militar, esta com a evolução da tecnologia agora proporcionando maior acesso a informações novas e até agora não divulgadas sobre nossos ecossistemas e recursos naturais que podem ser de uso crítico também fora da área de defesa. Assim, além do componente de vigilância estabelecido, o acesso a novos dados também pode fornecer entrada poderosa para novas políticas, juntamente com testes recorrentes e avaliação de atividades em andamento.

 

A Corporação Espacial Sueca (SSC) é o principal fornecedor global de serviços espaciais avançados. O SSC concentra-se em três áreas principais: serviços de lançamento de foguete e balão no Esrange Space Center e desenvolvimento de cargas úteis de experiências; acesso confiável a satélites em praticamente qualquer órbita, como operadores de uma das maiores redes civis de estações terrestres do mundo, SSC Universal Space Network; e serviços de engenharia para projetos de clientes, trazendo conhecimento de consultoria para todas as fases de seus programas espaciais. Existe potencial para uma ampla colaboração sueco-brasileira sobre o uso de satélites como instrumento para uso sustentável do solo e planejamento regional. O potencial para tal colaboração parece particularmente promissor neste caso. A Suécia e o Brasil foram precursores das agendas globais de SDG e mudanças climáticas e, portanto, compartilham um compromisso conjunto para promover novas ações nesses dois processos.

Hans-Olof Utsi/imagebank.sweden.se